O que são Debêntures e as duas estratégias da Oi de não ir a falência!

Operadora Oi a beira da falência!
Operadora Oi a beira da falência!

A Oi está morrendo! Segundo informações da Anatel a operadora de telecomunicações pode encerrar suas atividades no segundo trimestre de 2020 se nada for feito.

Para que a Tele não entre em falência a operadora planeja levantar até R$ 2,5 bilhões, além de vender partes não-estratégicas da empresa ao longo dos próximos anos. Tirando a parte das “vendas não-estratégicas da empresa” o que a Tele realmente pode fazer para levantar capital com a máxima urgência é, emitir novas ações no mercado (o que pode ser um erro que irei aborda mais à frente) ou emitir Debêntures.

Vamos por partes: parte 1

Para responder essa pergunta vou ter que fazer e responder outra pergunta: Você sabe o que é CDB?

O ‘CDB’ significa: Certificado de Depósito Bancário. Em outras palavras esse CDB é uma maneira de VOCÊ emprestar dinheiro ao(s) banco(s) para que esse(s) banco(s) possa emprestar dinheiro para outras pessoas ou outros bancos. Pode parecer bizarro, mas é assim funciona.

Você vai emprestar o SEU DINHEIRO para o banco e o banco vai emprestar esse dinheiro para outras pessoas com juros estratosféricos e quando o banco lhe devolver o dinheiro que você emprestou, a instituição bancária vai devolver a sua grana com juros e correções monetárias. Simples assim! Para saber mais a fundo sobre o são CDB’s acesse este vídeo aqui!

Parte 2:

As Debêntures funcionam da mesma maneira que os CDB’s, porém, com um diferencial: o investidor vai emprestar dinheiro para a empresa e não para o banco, já que, por lei, as empresas não podem emitir CDB’s apenas os bancos podem fazer isso.

Resumindo o assunto: o CDB é você emprestar dinheiro para o banco. Já as Debêntures você empresta dinheiro para a empresa que emitiu essas debêntures.

O que são e como funcionam as debêntures?

As chamadas “Debêntures” nada mais é que o título de divida de uma empresa não financeira. Com esse recurso a empresa investe na infra-estrutura da empresa que muitas vezes está mal das pernas e precisa levantar capital.

É muito mais fácil uma empresa emitir Debêntures do que fazer um financiamento bancário ou lançar novas ações no mercado. A burocracia é infinitamente menor!

Essa modalidade de investimento não tem proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), mas isso não significa que seja um mau investimento, já que, nesse caso, a empresa dá como garantira algum (ou vários) imóvel da sua infra-estrutura para honrar os seus investidores caso dê alguma merda.

Existem dois tipos de Debêntures: As reais e as flutuantes

A garantia real: é a garantia que a empresa deixa para garantir o fluxo de caixa da debênture.  Por exemplo: se a empresa não conseguir pagar suas dividas a debênture é usada como garantia para quitar a debênture.

A empresa pode deixar um imóvel, concessões presentes e futuras para o fluxo de caixa da empresa. Nessa modalidade a empresa não pode mudar esse tipo de garantia. Ou seja, fica alienado pela emissão das debêntures.

Garantia flutuante: já a flutuante, a empresa também deixar uma garantia para honrar as debêntures, só que, nesse caso, no meio do caminho a empresa pode mudar essa garantia, dês de que essa mudança seja equivalente.  Ou seja, a garantia do mesmo valor que a anterior.

A garantia flutuante é a mais usada pelos investidores. Tanto faz se as debêntures seja Real ou Flutuante, as mesmas são isentas da declaração do Imposto de Renda.  Contudo, você deve prestar atenção a um detalhe: apenas as debêntures que foram lançadas após 2011 é que estão isenta do imposto de renda, as que foram antes de 2011 continuam pagando o imposto. A própria corretora avisa se àquela Debênture é isenta ou não do Imposto de Renda.

A grande maioria das DB’s são atreladas ao IPCA+Juros fixo e seus rendimentos são semestrais ou anuais.

Quando as empresas lançam algumas debêntures esse lançamento é chamado de mercado primário. Sendo assim, se você quiser ser um dos primeiros a comprar essas DB’s você deverá ficar ligado na sua corretora.

Você também pode investir nas DB’s no mercado secundário. Nesse caso as DB’s já estão no mercado e as mesmas estão sendo revendendo no mercado primaria.

Parte 3:

Por que as Debêntures são melhores que ações e o que a OI tem haver com isso?

Como disse no começo deste post, o dinheiro da Oi está acabando e a empresa tem apenas duas estratégias para não morrer de vez e deixar milhões de consumidores a ver navios. A primeira são as Debêntures que acabei de explicar como funciona.

Oi e suas Debêntures

A segunda opção é lançar novos títulos no mercado acionário. Só que esse tipo de estratégia pode ter uma conseqüência nada agradável às ações da operadora no mercado. Isso porque, ao lançar novos títulos isso significa que haverá uma oferta de ações no mercado e isso prejudicaria o preço das ações que já estão sendo negociadas no mercado acionário.

Exemplo: enquanto esse post é redigido cada ação da Oi está valendo R$1,27 (US$0,28 cents – dólar a 4,05). Ou seja, a empresa, literalmente está derretendo!

Supondo que a Tele tenha 100 milhões de títulos (ações) no mercado e de repente injeta mais 30 milhões de ações no mercado. O que você acha que vai acontecer com preço de cada ação que já está a um valor irrisório? Subir é que não vai!   

Se emitir ações fosse bom para o mercado acionário todas as empresas emitiram ações a rodo. Mas não é assim que o mercado funciona. Ainda bem!

Tem mais: você acha que os investidores vão comprar ações da Oi sabendo que a Tele injetou novas ações no mercado a fim de captar dinheiro para a empresa não ir para bancarrota de vez? É óbvio que não! Eu mesmo não compraria!

Leia mais: Oi: acionistas avaliam vender empresa, ações desabam e presidente prepara saída

Ação da Oi despenca 27% com pressão para troca de CEO e preocupação com caixa; confira mais destaques

você acha que os investidores vão comprar ações da Oi sabendo que a Tele injetou novas ações no mercado a fim de captar dinheiro para a empresa não ir para bancarrota de vez? É óbvio que não! Eu mesmo não compraria!

Isso sem contar que a Tele está em recuperação judicial dês de junho de 2016. Ou seja, a operadora está mal das pernas há muito tempo.

Então, os investidores sabendo de tudo isso você acha que – esses investidores – vão investir nas “novas” ações da Oi? Não mesmo!

Sendo assim, a única saída para a operadora de telecomunicações é emitir suas Debêntures se não quiser quebrar de vez.

E outra: As empresas que emitem as suas DB’s – as mesmas – é que define a porcentagem que vão querer pagar. Sendo assim, a Oi, além de emitir a suas Debêntures terá que colocar uma porcentagem atrativa se quiser atrair investidores que não estão com pressa de ganhar dinheiro.

Boa sorte Oi, você vai precisar! 

Leia também...